MCom confirma migração AM-FM de Fortaleza (CE) em dial FM convencional

Como um dos resultados de um esforço conjunto de setores da radiodifusão, foi confirmada a ida das migrantes AM-FM de Fortaleza (CE) para a faixa FM convencional, ou seja, canais compreendidos entre 88.1 FM e 107.9 FM. A informação foi divulgada nesta terça-feira (22) pela ABERT (Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão), que relatou a assinatura da autorização por parte do MCom (Ministério das Comunicações). 

A assinatura do documento que autoriza a ida das AMs da capital cearense ao FM foi feita pelo secretário de Radiodifusão do Ministério das Comunicações, Maximiliano Martinhão. “Fizemos um esforço para fazer jus aos serviços prestados por essas emissoras na frequência AM. Nossa cultura e nossa economia dependem da história dessas rádios”, declarou Martinhão, segundo nota emitida pela ABERT.

Segundo a ABERT, a cerimônia virtual com a assinatura foi realizada nesta terça-feira (22) e contou com as participações das emissoras cearenses contempladas, do diretor geral da ABERT, Cristiano Flores, do diretor de Rádio da ABERT, André Cintra, de representantes do MCom e da ACERT.

Fortaleza estava entre os grandes mercados com possibilidade das migrantes AM-FM ocuparem o FM convencional, assim como Brasília e Goiânia (que aguardam as confirmações).

Fonte: Tudo Rádio

Notícias falsas matam mais que vírus e bactérias, dizem especialistas

Notícias falsas têm mais potencial destrutivo do que vírus e bactérias. A conclusão é da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), para quem a difusão de desinformação na sociedade pode aumentar o número de mortes decorrentes da COVID-19.

“Se uma pessoa começa a divulgar que a vacina tem substâncias tóxicas, que tem um microchip que vai copiar ou rastrear você, uma pessoa que minimamente não consegue se informar vai deixar de se imunizar e se expor a um risco que pode levá-la à morte", afirma a diretora da SBIm, Melissa Palmieri.

Para ela, é importante combater informações não verificadas e, ao mesmo tempo, divulgar os benefícios da vacinação. “Com toda vacina pode acontecer reações adversas, mas nada que impeça as pessoas das atividades usuais. O benefício de se vacinar é infinitamente maior que o risco de uma reação adversa", conclui.

Já o estudo realizado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) apontou que a disseminação de fake news vem reduzindo a cobertura vacinal desde 2013. A grande maioria de publicações inverídicas atribui ineficácia das substâncias ou risco de morte ou sequelas entre os vacinados.

Os pesquisadores analisaram três sites de checagem de notícias, com publicações de 2010 a 2019. Foram encontradas, por exemplo, 20 reportagens com informações inverídicas sobre vacinação, sendo que 63% se referiam à imunização contra a febre amarela - a doença voltou a afetar Minas Gerais em 2017, após ter sido erradicada das áreas urbanas do país há décadas.

O estudo foi publicado na Revista da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (USP).

Preocupada com a disseminação de notícias falsas durante a pandemia, em março de 2020, a ABERT lançou a campanha para rádio, TV e redes sociais “Desinformação Mata”, que lembra o papel dos veículos de comunicação na prestação de serviço e no combate às fake news, principalmente sobre o novo coronavírus.

Fonte: Abert

Publicidade brasileira está entre as de maior crescimento do mundo

Os gastos com publicidade global em 2021 terão o maior incremento anual já registrado pela consultoria norte-americana Magna, que monitora o setor há 60 anos. A expectativa de crescimento de 14% supera o recorde anterior de 12,5%, verificado em 2000, e o Brasil está entre os países que terão as maiores altas, com 15,2%. À frente do Brasil estão Reino Unido (16,8%) e China (16,1%). Já nos Estados Unidos, apesar de continuarem como o maior mercado publicitário do mundo, o crescimento será de 15,1%.

Segundo a Magna, o valor global passará dos US$ 579 bilhões de 2020 para US$ 657 bilhões em 2021 e todos os 70 países monitorados apresentarão crescimento.

A receita global das TVs deve ser de US$ 153 bilhões, o que representa um aumento de 3% em relação ao ano anterior, A previsão da Magna é que as marcas de consumo, como as dos setores automotivo e de bebidas, aumentem a competição, com o retorno dos consumidores em um ambiente seguro. Também os eventos esportivos internacionais levarão a orçamentos publicitários adicionais.

No setor não-digital, os maiores beneficiados serão o rádio (+5%) e a mídia externa (+10%), que verão a audiência crescer à medida que haja um retorno gradual do consumidor à rotina pré-pandemia.

*Com informações do MediaTalks

Fonte: Abert

Rádio dos EUA cresce de novo em ouvintes e está muito próximo do período pré-pandemia

Nas últimas semanas o tudoradio.com trouxe uma série de levantamentos que mostram a recuperação do rádio norte-americano quando o assunto é volume publicitário, movimento este que também conta com previsões positivas para o resto de 2021 e também para 2022. E o mesmo tem acontecido com o número de ouvintes: segundo a Nielsen, as estações AM/FM dos Estados Unidos atingiram em maio o seu nível mais alto de alcance desde o início da pandemia do novo coronavírus, estando muito próximo da marca registrada pré-covid. Vale recordar que o rádio dos EUA é mais dependente dos deslocamentos diários da população, ou seja, está atrelado à rotina de trabalho, estudos e lazer fora de casa.

O pior nível para o rádio em relação ao alcance de ouvintes semanais foi em abril do ano passado, quando o meio norte-americano atingiu 106.6 milhões de pessoas em 7 dias, contra 124.2 milhões de março de 2020 (mês considerado pré-pandemia). Em meses de maior flexibilização das regras de isolamento e lockdown, o rádio voltou a superar a marca dos 120 milhões de ouvintes alcançados a partir de setembro, mas voltou a recuar no início do ano, com os EUA sofrendo com mais uma onda da covid-19.

Desde fevereiro deste ano há uma recuperação constante dos níveis de escuta, com salto maior a partir de março e o maior nível de alcance registrado em maio (levantamento mais recente), isso em relação a todo o período pandêmico nos Estados Unidos. No número mais recente, o rádio norte-americano atingiu mais de 122 milhões de pessoas em apenas 7 dias, considerando a população com 12 anos ou mais. 

Para efeitos comparativos, o rádio norte-americano registrou em maio de 2021 8% a mais de alcance semanal na comparação com o mesmo mês do ano passado. E também um nível 20% maior do que o observado em abril de 2020 (primeiro mês da pandemia nos Estados Unidos).

Já os números sobre audiência, o valor mais recente ainda segue um pouco abaixo do nível pré-pandemia, mas também teve em maio de 2021 o seu número mais alto, estando também em alta desde fevereiro deste ano e bem próximo da marca registrada em março de 2020. 

Vale recordar que os níveis mais baixos de todas as métricas de rádio ocorreram no primeiro mês da pandemia (abril de 2020), mas com recuperação a partir de maio. Ou seja, nenhum dos meses seguintes da pandemia contaram com níveis iguais ou mais baixos do que no primeiro mês da covid-19 nos Estados Unidos. Ou seja, a audiência e as rádios souberam se adaptar à nova realidade imposta pela dinâmica pandêmica.

O rádio norte-americano é muito sensível aos deslocamentos diários da população, sendo consumido mais fora de casa. Por isso houve uma queda no alcance e também na audiência nos períodos de maior restrição da população. Mesmo assim parte da indústria temia quedas bem maiores daquelas registradas e também uma mudança de hábito mais significativa no pós-pandemia, situação que aparentemente não tem sido o caso do rádio AM/FM, que está percebendo o retorno dos hábitos pré-pandemia em seus níveis de escutas.

Outro ponto que mostra a recuperação do mercado de rádio é o crescimento em 2021 de formatos musicais que foram mais afetados com as mudanças de hábitos na pandemia. A maioria desses perfis estão hoje com números iguais, superiores ou próximos daqueles registrados em março de 2020, no período que antecedeu a covid-19 nos Estados Unidos. E os formatos que mais se beneficiaram com a pandemia, como News/Talk, Classic Rock, Classic Hits e Country, estão normalizando os seus níveis de escutas.

O que realmente é um fato novo na dinâmica do rádio norte-americano é a elevação do patamar do streaming na composição da audiência e do alcance do meio nos Estados Unidos, segundo dados recentes da Nielsen. O áudio ao vivo digital das emissoras corresponde a 10% do total da audiência do rádio.

Fonte: Tudo Rádio

NOTA DE REPÚDIO

A Federação Nacional das Empresas de Rádio e Televisão (FENAERT) manifesta seu repúdio ao ataque feito à imprensa pelo Presidente da República Jair Bolsonaro. Durante uma breve entrevista, o presidente mandou membros da sua própria equipe calarem a boca e também da equipe da TV Vanguarda, afiliada da Rede Globo, que fazia a cobertura do evento.

Na ocasião, Jair Bolsonaro além de ofender os jornalistas que estavam no exercício da sua profissão, também tirou a máscara, colocando em risco a saúde daqueles ali presentes. O fato aconteceu depois de ter sido questionado sobre a multa que recebeu do governo de paulista pelo não uso da máscara obrigatória para evitar a transmissão da Covid-19 durante um passeio com motociclistas.

A Fenaert repudia qualquer ação de cerceamento da liberdade de imprensa e reforça a importância do jornalismo para a democracia. Nos solidarizamos ainda com a repórter da TV Vanguarda, Laurene Santos, alvo das ofensas do presidente.

Sancionada MP que altera regras do setor

O presidente Jair Bolsonaro sancionou, com vetos, nesta terça-feira (15), a Medida Provisória 1018/20, que altera regras do setor de radiodifusão. A MP foi transformada na Lei nº 14.173 de 2021.

Com a publicação da lei, as retransmissoras de rádio e televisão exclusivamente instaladas nos municípios situados nas regiões de fronteira de desenvolvimento do país, como a Amazônia Legal, poderão veicular inserções locais e de publicidade limitadas a 15% do total da programação, além da possibilidade de inserção de até 3 horas diárias dedicadas à programação jornalística local.

A nova lei também assegura a possibilidade de instalação de estações transmissoras de radiodifusão em município diverso ao da localidade de outorga, mediante a avaliação técnica ou econômica do Ministério das Comunicações e o atendimento de critérios mínimos de cobertura.

Outra mudança diz respeito à alteração das regras de carregamento obrigatório das emissoras de televisão pela TV por assinatura (SeAC), o que permitirá a veiculação de um maior número de canais de TV aberta no ambiente pago.   

O presidente vetou importante artigo do texto da MP 1018/20, aprovado pelo Congresso Nacional, que definia que o mercado de vídeo-sob-demanda (VoD) não estaria sujeito ao recolhimento da Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional (Condecine-Título), na modalidade "outros mercados".

O presidente da ABERT, Flávio Lara Resende, destaca que os fundamentos que justificaram o veto aos artigos 3º e 5º, centrados na suposta renúncia fiscal, não prosperam, e destaca que a ABERT trabalhará no Congresso para a sua derrubada: “O tema foi amplamente discutido no Congresso Nacional, com a aprovação deste dispositivo. Contamos com a sensibilidade dos parlamentares para a sua manutenção”.

Fonte: Abert

Ministério das Comunicações publica portarias que autorizam retransmissão de rádio no Acre

O Ministério das Comunicações (MCom) publicou na terça-feira (8), no Diário Oficial da União, as portarias que autorizam duas emissoras a oferecer o serviço de retransmissão de rádio em várias localidades do Acre. As emissoras Progresso do Acre Comunicações e Rádio, TV e Jornal Impresso Amazônia poderão retransmitir a programação feita para a capital aos municípios de Acrelândia, Assis Brasil, Brasileia, Bujari, Capixaba, Epitaciolândia, Feijó, Jordão, Mâncio Lima, Manoel Urbano, Marechal Thaumaturgo, Plácido de Castro, Porto Acre, Porto Walter, Rodrigues Alves, Santa Rosa do Purus, Sena Madureira, Senador Guiomard, Tarauacá e Xapuri.

De acordo com as informações do MCom, são as primeiras outorgas do serviço de Retransmissão de Rádio, criado pela Lei nº 13.649, de 2018. Com isso, o MCom busca garantir que as cidades com menor porte, no interior dos estados, tenham acesso a conteúdo informativo. A permissão para o serviço abre também oportunidade para a geração de empregos e investimentos locais. O objetivo do MCom é beneficiar mais de 10 milhões de moradores de 230 municípios interioranos da Amazônia Legal, nos estados do Mato Grosso, Tocantins, Amazonas, Pará, Amapá, Acre, Rondônia e Maranhão. De todas as cidades beneficiadas, cerca de 78% não contavam com emissoras FM na ocasião de publicação do edital de chamamento público, em setembro de 2020.

O secretário de Radiodifusão do MCom, Maximiliano Martinhão, explica que o serviço é especialmente importante porque se destina ao interior da Amazônia Legal – região carente de serviços de radiodifusão. Martinhão reforça que em muitas localidades a divulgação de informações relevantes é feita por meio de carros de som. “A Retransmissão de Rádio na Amazônia Legal possibilita a inserção local de programação e de publicidade em até 15% do total da programação, permitindo que essas estações de rádio sejam um veículo para informações relevantes para a comunidade”, complementa.

A simplificação foi iniciada com a publicação do Decreto nº 10.405/2020, que estabelece diretrizes para facilitar o fluxo administrativo e fixa prazos para a regularização de emissoras que funcionam em caráter provisório. A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) aprovou as novas normas técnicas e adaptou os sistemas eletrônicos à regulamentação proposta.

Além disso, os procedimentos para a outorga de serviços de retransmissão de televisão (RTV) e de rádio (RTR) na Amazônia Legal foram também simplificados para facilitar a obtenção de novas autorizações.

Com informações da ASCOM/Ministério das Comunicações

Fonte: Tudo Rádio

Em enquete, ouvintes acreditam que formatos musicais foram beneficiados em audiência em 2020

O tudoradio.com segue contando com a ajuda de sua audiência para medir a temperatura sobre a percepção dos ouvintes em relação a algumas curiosidades do meio rádio. Em fevereiro, o portal questionou os visitantes sobre qual formato de rádio foi o mais beneficiado em audiência ao longo de 2020, ano atípico devido à pandemia da covid-19. Foram mais de 3 mil participações na enquete, onde a maioria indiciou o formato “adulto-contemporâneo” o maior beneficiado. Acompanhe os detalhes:

Para 34% dos participantes da enquete o formato adulto-contemporâneo foi o maior beneficiado em audiência em 2020, ano de início da pandemia do novo coronavírus. Porém os visitantes ficaram bem divididos, pois a opção "jovem / top40 - Pop e/ou Jovem-adulto / Pop" recebeu 27% dos votos entre os visitantes que participaram da enquete. Em resumo, para 61% esses formatos de rádios que geralmente são mais musicais foram as mais beneficiadas em 2020.

Rádios de "jornalismo/all-news" também foram apontadas como grandes beneficiadas pelo momento atípico causado pela pandemia em 2020, recebendo 24% dos votos dos participantes da enquete, valor próximo das outras duas opções mais escolhidas pelos visitantes do portal. 

As opções "Popular/hits ou/e Sertanejo" e "Religiosos" receberam 11% e 4% dos votos, respectivamente.Vale ressaltar que a enquete não conta com processo científico de avaliação, sendo apenas uma forma de saber como foi o comportamento dos visitantes do portal perante o tema proposto. O questionamento esteve em vigência entre a segunda quinzena de fevereiro e a primeira quinzena de junho. E o número total de votos foi de 3071.

Resultado bate com a realidade do rádio?

A dúvida sobre "qual o formato de programação que foi mais beneficiado em 2020" foi uma constante no mercado de rádio e, em 2021, segue causando discussões entre os profissionais. Isso ocorre porque o comportamento da audiência variou muito durante a pandemia. Em um primeiro momento, a demanda por notícias e as mudanças na circulação das pessoas acabou afetando a rotina de escutas das pessoas.

Na sequência, com o "abre e fecha" nas atividades de diferentes setores, com novas variações na circulação de pessoas e o modo como elas organizam as suas rotinas durante a pandemia, também impulsionaram os formatos musicais. Nas atualizações de audiência foi possível perceber uma alta significativa nos formatos populares, principalmente a partir da reta final de 2020, com a normalização das pesquisas feitas em campo.

O formato religioso também constatou alta em vários mercados, com algumas estações conquistando novos patamares de audiência, situação percebida principalmente no Rio de Janeiro e também no Recife. 

Essa grande diversidade de conteúdo oferecido pelo rádio foi constantemente apontado como um diferencial do meio para prestar serviço e entreter a população durante a pandemia do novo coronavírus.

De qualquer forma, várias estações de diferentes formatos estão experimentando hoje patamares mais elevados de audiência e alcance na comparação com os números registrados no período que antecedeu a pandemia. 

A próxima enquete: credibilidade do rádio

tudoradio.com já conta com uma nova enquete disponível para a audiência. Nela, o portal pergunta o seguinte: “Você confia na prestação de serviço e nas informações veiculadas pelo rádio sobre a pandemia da covid-19?”

Para participar basta acessar tudoradio.com/enquetes ou responder no menu do portal, localizado na lateral esquerda para quem acessa via desktop e tablets.

Fonte: Tudo Rádio

Como fazer o público ter o hábito de ouvir a sua rádio

Por Fernando Morgado

Durante vários anos, trabalhei com um importante comunicador que dizia: “Meu programa é uma missa: todo mundo sabe a hora que levanta, senta e ajoelha!”. Líder de audiência há várias décadas, ele desenvolveu uma fórmula tão eficiente que os ouvintes são capazes de saber se estão atrasados ou não para os compromissos apenas pelo instante em que os quadros e vinhetas entram no ar. E, de tão forte, esse hábito passa de geração para geração.

Hábito. Construí-lo é um dos principais objetivos de qualquer profissional que trabalha com audiência. Ainda que o dinamismo reinante nas redações e salas de produção desperte em muitos o desejo de mudar a programação dia sim, outro também, fato é que não se constrói uma rádio de sucesso sem constância, disciplina, estratégia, sensibilidade, talento e, sobretudo, paciência. Muita paciência. Afinal, é preciso convencer todos os dias o ouvinte a ligar (e permanecer ligado) naquela mesma hora, naquela mesma atração, naquela mesma emissora. Trata-se de um esforço contínuo, quase eterno.

Após estudar o público e suas demandas, desenha-se uma grade que atenda a essas demandas. Feito isso, é preciso esperar para ver os resultados. Isso acontece em todos os meios, mas, no rádio, tal espera é ainda mais importante, visto que, nas praças atendidas pela Kantar Ibope Media com pesquisas regulares, os dados se referem a trimestres móveis. Por exemplo: o que comumente se trata como dado de março se refere, na verdade, ao período entre os meses de janeiro a março. Nas chamadas praças especiais, torna-se ainda mais importante esperar, pois os dados chegam de forma esporádica.

É certo que os indicadores oferecidos pelas redes sociais são mais ágeis, entretanto, eles não podem ser adotados como única referência na hora de desenhar uma grade de programação. Cada rede dedica-se a um perfil específico de público e esse perfil, em muitos casos, não coincide com o da rádio. Pense bem: será que o enxame de publiposts no Instagram, de dancinhas no TikTok e de fãs de K-pop no Twitter traduzem os interesses do público em geral?

Entre muitas outras coisas, rádio é promessa. Toda emissora promete exaustivamente que oferecerá a melhor informação, os melhores locutores, as melhores músicas, os melhores prêmios. E mais: promete que entregará tudo isso sempre. Quebrar a regularidade da programação, portanto, é quebrar uma promessa, um pacto com o público que, sentindo-se traído, poderá marchar rumo à concorrência. É claro que imprevistos acontecem e um plantão do jornalismo pode se fazer necessário. Isto, porém, não deve ser confundido com a transmissão infrequente de determinado conteúdo que você prometeu entregar sempre.

Por fim, mas não menos importante, há também o aspecto comercial. Em última análise, emissoras ganham dinheiro vendendo tempo. Sendo assim, quem não respeita horários desvaloriza seu produto e, por conseguinte, perde dinheiro. Como o anunciante investirá em um conteúdo que ele não tem confiança que será de fato veiculado?

Para que os ouvintes tenham o hábito de ouvir a sua rádio, você deve:

  1. Estudar e pensar muito antes de montar sua grade, diminuindo as chances de futuras alterações;
  2. Investir na melhoria contínua dos programas, acompanhando o desempenho deles de perto;
  3. Saber interpretar corretamente os dados de pesquisa, valendo-se de técnica e, sobretudo, sangue frio;
  4. Cultivar a paciência para esperar o tempo necessário até que os números reflitam alguma tendência;
  5. Se, de fato, as perspectivas não forem boas, planejar a mudança de forma cuidadosa, desenhando, inclusive, a estratégia de comunicação junto ao público, a fim de mitigar as possíveis (e prováveis) reações negativas que virão.

Conforme escrevi no começo deste texto, são muitos os que determinam suas rotinas a partir dos horários das emissoras. Este é, sem dúvida, um dos maiores reconhecimentos que se pode conseguir de um ouvinte. Trata-se, ao mesmo tempo, de uma honra e de uma enorme responsabilidade determinar quando alguém fará alguma coisa. A centenária história de sucesso do rádio foi escrita com criatividade e inovação, mas também com inteligência, prudência e, sobretudo, respeito. E isso passa pelo zelo com a grade de programação que, mesmo em tempos de on demand, continua sendo o principal modelo de oferta e consumo de conteúdo.

Sobre Fernando Morgado

Consultor e palestrante. Professor das Faculdades Integradas Hélio Alonso. Coordenador adjunto do Núcleo de Estudos de Rádio da UFRGS. Membro da Academy of Television Arts & Sciences, entidade realizadora dos prêmios Emmy. Possui livros lançados no Brasil e no exterior, incluindo o best-seller “Silvio Santos: a trajetória do mito” (5ª edição em 2017). É um dos autores de “Covid-19 e comunicação: um guia prático para enfrentar a crise” (2020), obra publicada em português, espanhol e inglês. Mestre em Gestão da Economia Criativa e especialista em Gestão Empresarial e Marketing pela ESPM. Site: fernandomorgado.com

Fonte: AERP

Rádio amplia significativamente o alcance de campanhas feitas em serviços de streaming de áudio

O rádio AM / FM é um amplificador importante de qualquer campanha publicitária, devido ao seu grande alcance entre a população. E um relatório feito pela Westwood One destacou como o meio pode ser fundamental em anúncios veiculados em plataformas de streaming de audio, como o Spotify, Pandora (EUA), entre outros. Com base no Share of Ear da Edison Research, mostra a audiência combinada de rádio AM / FM e Pandora em um dia normal, com 85 % ouvindo AM / FM e nunca Pandora, enquanto para a audiência combinada de AM / FM e Spotify, esse número é de 83%.

"Alguns anunciantes compram no Spotify e no Pandora e declaram: 'A caixa de áudio está marcada’. Não tão rápido", diz Brittany Faison, gerente do Westwood One Insights. Ou seja, ela quer dizer que ao procurar uma alternativa de anúncio em áudio, ao anunciar nos serviços de streaming como o Spotify, o planejamento de marketing desconsidera as demais opções, como o rádio. E isso é um erro grave para uma campanha publicitária. “Mais pessoas ouvem rádio AM / FM e não Pandora, Spotify ou SiriusXM", destaca a executiva.

A análise foi feita pela Westwood One e publicada no blog "Everyone's Listening". Ela combinou a audiência de plataformas como o rádio AM/FM, Spotify, Pandora (serviço de streaming concorrente que está disponível apenas nos EUA) e o SiriusXM (canais de áudio via-satélite, também disponível apenas na América do Norte). Enquanto boa parte das pessoas ouvem só rádio AM/FM, o veículo também tem boa penetração entre os usuários desses serviços: mais da metade da audiência de Pandora ou Spotify também ouve rádio AM-FM.

Esse panorama significa que uma compra de anúncio em estações de rádio AM e FM atinge metade da audiência que utiliza qualquer plataforma de áudio que possua anúncios. Se combinar a campanha entre o rádio e qualquer outra plataforma de áudio, a tendência é de que o veículo seja o motor impulsionador principal, devido ao seu alcance, reforçando também a necessidade de planejamentos omnichannel.

A maioria das pessoas ouvem rádio AM/FM

No universo combinado entre Spotify e Rádio AM/FM, 83% declaram ouvir apenas emissoras de rádio AM/FM, enquanto 9% ouvem ambos e 8% apenas o serviço de streaming, segundo a pesquisa realizada pela Edison Research, números similares à combinação Pandora. O levantamento não considera os serviços de assinatura, quando não há entrega de anúncios, pois o foco do relatório é a estratégia publicitária nos canais de áudio.

Brittany também utiliza números da Nielsen para reforçar a sua análise e destaca o peso do alcance do rádio nas estratégias publicitárias. "Como o público do Pandora e do Spotify é tão pequeno, é muito difícil aumentar o alcance em suas plataformas (…) Mesmo com o aumento do investimento, alcance linhas planas de crescimento no Pandora e no Spotify. Enquanto isso, conforme o investimento em rádio AM / FM aumenta, o alcance cresce e cresce", diz a analista. 

Os números da Nielsen Media Impact usados na análise mostram que ao aumentar a compra de anúncios com foco no público adulto de 18 a 49 anos no Pandora e no Spotify o resultado gera pouco crescimento no alcance, enquanto os mesmos níveis de investimento em AM / FM geram o triplo do alcance. 

Segundo a reportagem do portal norte-americano Inside Radio sobre o tema, um dos pontos fortes da análise é a descoberta do Share of Ear sobre os locais predominantes de escuta para cada plataforma de áudio. A pesquisa mostra que 71% do tempo gasto pela audiência em serviços como Pandora e Spotify ocorre nas residências. Já o rádio AM/FM tem seu ponto forte no deslocamento, seja no local de trabalho, carro e até no caminho da compra, o que é um valor fundamental para as estratégias publicitárias. Neste caso, considerado o mercado dos EUA, o “fora de casa” representa 61% das escutas de rádio.

E o alcance do rádio pode ser impulsionado em dispositivos puramente digitais. Neste caso se considera apenas o streaming de áudio ao vivo das estações AM/FM executados em smart speakers (como Amazon Alexa, Google Home, Apple Home Pod, entre outros). A Edison mostra que 39% do tempo gasto com áudio nesses aparelhos é com as emissoras de rádio AM/FM, contra 27% do Pandora, 9% de canais da SiriusXM e 8% para o Spotify. Os podcasts representam 17% nesses dispositivos.

Já no share entre todas as plataformas de áudio que suportam anúncios, o rádio fica com 70%, contra Pandora, SiriusXM e 8%, 4% e 3% do Spotify, respectivamente, considerando o público entre 25 a 54 anos. Já nos carros, o share do rádio amplia ainda mais, com 90% para o meio, contra 6% do SiriusXM, 2% do Pandora e 1% Spotify (1%).

Os dados são relacionados ao mercado dos Estados Unidos, com comparativos que consideram levantamentos até o primeiro quadrimestre de 2021.

As principais conclusões do relatório da Westwood One são:

> Adicionar rádio AM / FM ao Pandora ou Spotify gera um grande aumento no alcance de campanhas publicitárias.
> A maior parte da escuta do Spotify / Pandora ocorre em casa, enquanto a maior parte da escuta de rádio AM / FM ocorre fora de casa
> O rádio AM / FM é a plataforma de áudio suportada por anúncios mais ouvida em smart speakers, uma tendência consistente nos últimos anos.
> A trajetória de audiência do podcasting continua a subir, enquanto o rádio AM / FM continua sendo o líder indiscutível em áudio com suporte de publicidade
> À medida que os Estados Unidos voltam à estrada, a parcela de áudio suportado por anúncios do rádio AM / FM no carro permanece em 87%

Com informações da Westwood One, Edison Research, Nielsen Media e portal Inside Radio

 Fonte: Tudo Rádio

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