Governo quer 'selo' contra fake News

O governo montou uma força-tarefa para definir regras que impeçam ministérios e estatais de veicular publicidade em sites que divulgam fake news. A ideia é criar uma espécie de "selo de qualidade" para indicar aos órgãos públicos que aquele veículo não propaga inverdades.

Em maio, o TCU suspendeu publicidades do Banco do Brasil e recomendou ao governo que elabore normas para garantir a idoneidade de sites, a exemplo do que já acontece com empresas que têm interesse em negociar com o poder público.

No mês passado, um relatório produzido pela Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Fake News revelou que o governo federal investiu dinheiro público para veicular 2 milhões de anúncios publicitários em canais que apresentam "conteúdo inadequado". A lista de sites que receberam publicidade oficial inclui páginas que difundem fake news, que promovem jogos de azar e até sites pornográficos.

A força-tarefa do governo, no entanto, só foi criada depois que o TCU publicou um acórdão condicionando a veiculação de publicidade oficial a um manual de boas práticas. O grupo é composto por sete funcionários e foi oficializado no dia 13 de julho, por meio de uma portaria assinada pelo ministro Wagner Rosário, da Controladoria-Geral da União (CGU).

Segundo a portaria, a função destes servidores é realizar estudos para "mitigar riscos para a integridade decorrentes da utilização de mídias digitais para veiculação de campanhas publicitárias financiadas com recursos de órgãos e entidades da administração federal direta e indireta".

Os critérios ainda serão debatidos, mas deverão ter como base as recomendações do TCU. No último dia 10 de julho, a corte de contas proibiu o governo de anunciar em sites que exerçam atividades ilegais e também em mídias cujo conteúdo não se relacione com o objetivo das campanhas.

Exceção

Na decisão que suspendeu os anúncios do Banco do Brasil, por exemplo, o TCU abriu exceção para peças veiculadas em portais, sites, blogs e redes sociais de empresas concessionárias de serviços de radiodifusão e também àqueles vinculados a jornais e revistas que existam há mais de 10 anos."Não basta que o Estado brasileiro contrate campanhas publicitárias, é preciso que a comunicação social dos entes estatais esteja comprometida com valores de verdade, integridade, coerência, ética e defesa da cidadania", afirmou o ministro do TCU Bruno Dantas na ocasião.

Fonte: Correio Braziliense

Governo prevê R$ 30 milhões em propaganda para 'renovar esperanças do brasileiro'

O governo federal prevê gastar R$ 30 milhões com campanha publicitária para divulgar ações da administração Jair Bolsonaro (sem partido) e apresentar ações para "retomada do país, reduzindo os efeitos deixados pela crise da pandemia do coronavírus".

O "Diário Oficial da União" desta segunda-feira (13) traz o extrato de um termo de execução descentralizada entre a Secom (Secretaria de Comunicação) e o Ministério da Saúde.

O documento foi assinado na quinta-feira (9) por Samy Liberman, secretário especial de Comunicação Social, e Antônio Élcio Franco Filho, secretário-executivo de Saúde e prevê que a campanha fosse veiculada de domingo (12) até o dia 31 de agosto.

Em nota, a Secom informou, porém, que a campanha ainda está em fase de planejamento.

Na prática, a campanha será desenvolvida pelas agências de propaganda contratadas pelo ministério da Saúde, sob a supervisão da Secom.

De acordo com o termo, o extrato desta segunda trata da continuidade da execução de campanha publicitária que já está em desenvolvimento. O documento informa que existe orçamento aprovado para a ação.

A Secom pediu a liberação ainda neste ano de R$ 325 milhões para gastar em publicidade e em relações públicas para tentar melhorar a imagem do governo Jair Bolsonaro no país e no exterior, como mostrou a Folha em 5 de julho.

O valor é mais do que o dobro previsto no atual orçamento de 2020 para ações de comunicação, cerca de R$ 138,1 milhões. A Secom justifica o pedido por mais recurso sob o argumento da pandemia do novo coronavírus.

"A continuidade da campanha publicitária justifica-se pela necessidade de renovar as esperanças do brasileiro para que voltem a acreditar no Brasil com otimismo, vislumbrando um futuro melhor; mostrar que a retomada ao trabalho e à vida social se dará com segurança, respeitando os cuidados básicos de higiene e distanciamento; e apresentar as realizações do governo federal na superação da pandemia", diz a justificativa do Termo de Execução Descentralizada nº 6/2020.

O documento afirma ainda que a campanha, destinada à "sociedade em geral, em âmbito nacional", pretende demonstrar "o compromisso do governo federal" com o desenvolvimento de ações que visem o bem estar e a proteção social da população.

Desde o início da pandemia, campanhas publicitárias do governo federal se tornaram alvo de polêmica. Em 1º de julho, Bolsonaro divulgou uma propaganda em que ele conversa, por telefone, com pessoas cujos rostos estão disponíveis em bancos de imagens. Uma das fotos, inclusive, já ilustrou outra campanha do governo.

À época, o Palácio do Planalto disse que o vídeo era uma "peça piloto inacabada" e que ela foi retirada do ar.

Em março, a controvérsia foi em torno da campanha "O Brasil não pode parar", criada pela Presidência para respaldar o discurso de Bolsonaro de reabertura do comércio.

À época, a AGU (Advocacia-Geral da União) citou nota técnica da Secom que afirmava que o vídeo vazado era uma peça "meramente experimental e não aprovada”, sem custos aos cofres públicos. A peça foi posteriormente vetada pelo ministro Luís Roberto Barroso, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O ministro decidiu "vedar a produção e circulação, por qualquer meio, de qualquer campanha que pregue que 'O Brasil Não Pode Parar' ou que sugira que a população deve retornar às suas atividades plenas, ou, ainda, que expresse que a pandemia constitui evento de diminuta gravidade para a saúde e a vida da população".

Segundo ele, a supressão das medidas de distanciamento social, propagadas pela publicidade elaborada no governo, colocaria em risco a vida, a segurança e a saúde da população, direitos que a Corte tem o dever de tutelar.

Ainda no quesito publicidade, o ministro Vital do Rêgo, do TCU (Tribunal de Contas da União) determinou na sexta-feira (10) que o governo Jair Bolsonaro cessasse imediatamente a destinação de recursos de publicidade para sites e canais que promovem atividades ilegais ou cujo conteúdo não tenha relação com o público-alvo de suas campanhas.

A decisão, de caráter cautelar (preventivo), foi tomada após a Folha revelar em maio que a verba oficial da propaganda da reforma da Previdência irrigou sites e canais na internet de jogo do bicho, em russo e infantis.

Fonte: Folha de S. Paulo

Ministério flexibiliza regras para autorização de retransmissão de TVs

O Ministério das Comunicações publicou no último dia 24 portaria flexibilizando os procedimentos para autorização de serviços de retransmissão de TV (RTVs). Estes são os serviços por meio dos quais uma estação faz chegar à casa de telespectadores o sinal de uma emissora que produz conteúdo, denominada geradora.

A primeira diferença é o fato da norma permitir às empresas ou fundações concessionárias de TV a possibilidade de solicitação de autorização para executar serviço de retransmissão a qualquer momento. Com isso, não será mais preciso esperar um chamado específico do ministério para a área de interesse.

Foram reduzidos os documentos para a requisição de exploração de serviços por entes. Certidões e comprovações de órgãos do Executivo passarão a ser obtidas diretamente pelo ministério, não havendo mais a necessidade de apresentação pelo solicitante.

A avaliação da autorização é feita inicialmente pelo ministério. Em seguida, o pedido é encaminhado para análise da Agência Nacional de Telecomunicações, que examina a viabilidade do canal, tanto sob os aspectos legais quanto técnicos.

Cumpridos este passo, o canal é incluído no Plano Básico de Canais de TV Digital (PBTVD). Caso haja duas emissoras interessadas no canal, a Anatel analisa os pleitos considerando como critérios a proximidade do canal pretendido da estação geradora e a ordem da solicitação.

Segundo o Ministério das Comunicações, a flexibilização dos procedimentos prevista na portaria diminuiu em até 60% o tempo de tramitação dos processos.

Canal de rede

A portaria também regulamentou um novo tipo de canal criado pelo Executivo denominado “canal de rede”. Este compreende três ou mais canais digitais iguais, na mesma frequência de operação, com geradoras e retransmissoras de uma mesma pessoa jurídica em um mesmo estado.

A concessionária pode ter mais de um canal de rede em cada unidade da Federação. Pela norma, foram estabelecidos os critérios de avaliação para os pedidos de autorização de RTVs para canais de rede, incluindo os mecanismos de preferência.

O Ministério das Comunicações informou, por meio de nota, que vai divulgar os canais de rede existentes na próxima semana. A lista será atualizada à medida que eles forem autorizados pelo órgão.

Fonte: Expresso PB

Edison Research aponta possível mudança no comportamento dos ouvintes em relação aos horários de escuta

A indústria de rádio continua tentando mapear como será o hábito dos ouvintes durante e no pós-pandemia, esse que tem mudado de comportamento a depender de que estágio que está a crise do novo coronavírus em sua localidade. Segundo um levantamento da Edison Research, através do Share of Ear, foi possível notar que os ouvintes nos Estados Unidos mudaram suas rotinas de escutas pela manhã, iniciando mais tarde do que era antes da pandemia. Se discute no mercado se essa movimentação é uma tendência para o futuro, o que impactaria nas estratégias das emissoras.

O levantamento mostra que, antes da pandemia, 50% da população dos Estados Unidos começava a ouvir qualquer tipo de áudio às 7h15. Agora, este que é um exame trimestral do comportamento do ouvinte, mostra que esses mesmos 50% estão iniciando a escuta de qualquer plataforma de áudio as 08h30.

Ainda segundo a Edison Research, a mudança é natural, já que os deslocamentos dos ouvintes foram impactados com o isolamento social e quarentenas. Porém, a dúvida levantada pelo relatório é se essa tendência de maior permanência em casa para trabalhar possa ser algo considerável no período pós pandemia, com as escutas começando mais tarde do que na média histórica.

Isso impacta diretamente o rádio, que tem nos Estados Unidos o período da manhã como sua principal faixa horária estratégica. Com seus shows matinais, rádios de diferentes formatos utilizam esse tipo de atração para ampliar sua atuação comercial e eleva seus picos de audiência. Tanto que, durante a pandemia, esses shows foram estendidos para terminarem mais tarde o que o que ocorria habitualmente.

"Essa descoberta desafia o nosso pensamento sobre como os EUA ouvem áudio durante os tempos tradicionais", afirma Laura Ivey, diretora de pesquisa da Edison, em entrevista ao portal RAIN News. "Com muitas pessoas permanecendo em casa ou trabalhando em casa durante o segundo trimestre, elas não se envolveram com o áudio tão cedo quanto antes da covid-19.  Esses dados mostram que, se os americanos continuarem com os padrões atuais de trabalho, as estratégias de áudio podem precisar ser ajustadas", afirma a analista.

Recentemente, conforme acompanhado pelo tudoradio.com através da medição realizada pela Nielsen, o comportamento de escuta dos ouvintes de rádio em relação aos formatos de programação está se estabilizando conforme a pesquisa é atualizada, o retorno das audiências de estações de formatação adulto-contemporâneo (AC), Pop CHR, entre outras. Porém, é possível que ocorra um deslocamento de faixas horárias nos picos de audiência.

Sobre a faixa horária de consumo de rádio no Brasil, mas via streaming de áudio, os picos de audiência eram registrados na faixa das 08h00 (segunda à sexta-feira, período pós-pandemia) no período pré-pandemia. Depois, com um maior isolamento social, esse pico das 08h foi diluído nas faixas seguintes (09h, 10h e até 11h). 

Agora, com uma maior movimentação na comparação com o início da pandemia no Brasil, o pico das 08h foi novamente fortalecido, mas a audição na faixa das 09h está mais elevada do que antes da covid-19 (dados referentes ao ambiente do tudoradio.com, projeção do Analytics dos meses de março, maio e abril). Essas mesmas variações foram relatadas por algumas emissoras que tem acompanhado o comportamento da audiência em suas plataformas digitais.

Fonte: Tudo Rádio 

Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que libera o capital estrangeiro nas emissoras de TV e rádio e em jornais e revistas deverá ser entregue nas próximas semanas

Presidente da Frente Parlamentar de Defesa da Radiodifusão, o deputado federal Eli Corrêa Filho (DEM-SP) deve apresentar nas próximas semanas um Projeto de Emenda à Constituição (PEC) que libera o capital estrangeiro nas emissoras de TV e rádio e em jornais e revistas. Hoje, o limite é de 30%, o que afugenta investidores. A ideia é liberar pelo menos 51%, mas um esboço de PEC que já circula nos bastidores de Brasília propõe até 100% de abertura.

As emissoras de rádio e televisão atravessam a pior crise dos últimos 20 anos.

O deputado Eli Corrêa Filho vê a liberalização da radiodifusão como uma "necessidade urgente". Hoje, TV e rádio competem em desvantagem com plataformas globais (Netflix, Amazon, Spotify, Apple), que operam sem restrições de capital, com muito menos burocracia e pagando menos impostos.

Segundo fontes do mercado, fusões e aquisições com grupos estrangeiros tendem a ocorrer mais em emissoras de rádio e jornais, que precisam se fortalecer no digital para sobreviver --nos EUA, o fundador da Amazon, Jeff Bezos, comprou em 2012 o prestigiado Washington Post.

Historicamente, políticos de direita e de esquerda se uniram na oposição à presença do capital estrangeiro em empresas de mídia, porque veem uma ameaça à cultura e à soberania nacionais. Pela Constituição, só brasileiros natos ou naturalizados há mais de 10 anos podem controlar essas companhias.

No setor de aviação, por motivos parecidos, o limite era de 20%. Com a crise, liberou-se 100% de capital estrangeiro como alternativa para salvar negócios e empregos.

Eli Corrêa Filho acredita que a abertura ao investidor internacional irá fortalecer a radiodifusão em uma competição com estruturas globalizadas. Para apresentar a PEC, ele precisa de 171 assinaturas de apoio, e boa parte delas já está garantida, haja vista que 258 parlamentares fazem parte da Frente da Radiodifusão.

Para ser aprovada, a PEC tem de transitar por comissões e ser votada em dois turnos na Câmara e no Senado.

Fonte: Site Notícias da TV

MP que permite distribuição de prêmios pelas emissoras de rádio e TV é sancionada

O presidente Jair Bolsonaro sancionou na terça-feira (21), com vetos, a lei que autoriza a distribuição, por emissoras de TV aberta e rádio, de prêmios ao público por meio de sorteio, vale-brinde ou concurso.

As regras principais estavam em vigor desde março, quando o governo enviou uma medida provisória sobre o tema ao Congresso Nacional. Como Câmara e Senado fizeram mudanças no texto, a pauta voltou à mesa de Bolsonaro para a análise da versão final.

As medidas provisórias enviadas ao Congresso têm validade imediata, mas precisam ser aprovadas em até 120 dias para que as regras não sejam canceladas. Com a sanção, o texto passa a vigorar em definitivo.

“Tendo em vista o período de crise econômica prolongada, o projeto representa uma alternativa importante para o mercado atual de redes brasileiras de televisão aberta, uma vez que possibilitará torná-lo mais competitivo no ramo, acarretando em impactos positivos na economia e na geração de empregos”, afirmou o governo em nota divulgada na noite de segunda-feira (20).

 

Vetos às mudanças

Segundo a Secretaria de Governo, três dessas mudanças feitas pelo Congresso foram vetadas para atender “ao interesse público e à constitucionalidade”. O governo retirou uma mudança que ampliaria a participação do interessado por meio telefônico “já que, muitas vezes, o participante seria cobrado pela ligação sem nem ao menos saber.

Também vetou a distribuição gratuita de prêmios sem autorização do poder público. Isso evitaria, diz o governo, a proteção contra crimes como lavagem de dinheiro e sonegação fiscal.

O Planalto também decidiu vetar a atualização monetária do pagamento do preço público a partir da aprovação do acordo pelo Congresso Nacional, caso não houvesse regra expressa no edital de licitação. O governo apontou impacto orçamentário sem indicação de fonte nesse trecho.

 

O que diz a lei

Quando enviou a medida provisória ao Congresso, o governo disse que a iniciativa visava a apoiar o investimento em tecnologia de radiodifusão; alavancar a audiência das emissoras; e estimular o interesse de telespectadores, a contratação de anúncios publicitários e a produção de programas de cultura, entretenimento, informação e educação.

“O mercado atual de redes brasileiras de televisão aberta vem atravessando um período de crise econômica prolongada. A exploração de promoções comerciais pelas concessionárias do serviço de radiodifusão de sons e imagens, desde que adequadamente delimitada e regulamentada, pode ter impactos positivos na economia e na geração de empregos”, afirmou o governo.

A lei exige autorização prévia do Ministério da Economia para a distribuição gratuita dos prêmios acima de R$ 10 mil. Além disso, a participação em sorteios, concursos e vale-brindes está limitada a um CPF e a pessoas com mais de 18 anos.

Pelo texto, a participação do interessado será precedida de cadastro, por meio de aplicativo, programa de computador ou por telefone. A empresa autorizada a realizar o sorteio deverá assegurar o sigilo das informações cadastradas.

Fonte: O Sul

Pós-pandemia terá modelo híbrido de produção, mesclando presencial e digital

Uma reflexão sobre as novas formas de criar, produzir e distribuir conteúdo descobertas na quarentena e os rumos dos eventos corporativos, lives e o dia a dia da produção audiovisual no pós-pandemia nortearam a conversa do último painel do segundo dia do Brasil Streaming nesta sexta-feira, 17 de julho. O evento, uma organização das publicações TELETIME e TELA VIVA, foi realizado de forma 100% virtual nesta edição. 

Participaram da mesa representantes de canais de TV, realizadores de eventos, profissionais da educação e empresários de tecnologia e marketing – todas áreas que tiveram suas práticas de trabalho impactadas com a chegada da pandemia e, a partir daí, precisaram, em diferentes medidas, reinventarem seus processos. Como abordado anteriormente por este noticiário, os canais da TV paga, por exemplo, não pararam suas produções e, logo de início, investiram em novos formatos e projetos inovadores, a fim de manter a frequência de estreias. Roger Carlomagno, diretor de produção e desenvolvimento da ViacomCBS no Brasil, afirmou que a Viacom sempre utilizou muito o streaming – em uma de suas principais propriedades, o reality "De Férias com o Ex Brasil", da MTV, já era prática fazer lives pós-episódios, por exemplo. Para ele, o grupo vê o streaming como uma ferramenta de produção de conteúdo, e não como de alcance. "O que tivemos que aprender com a chegada da pandemia foi a produção remota. No começo, subestimamos o processo, achamos que seria fácil. Mas cada experiência nos traz um aprendizado e um perrengue novo. A produção remota demanda muito e no mesmo sentido da produção tradicional. Passamos por dificuldades que nem imaginávamos", contou. Entre os tais desafios enfrentados, estiveram problemas com sinal de internet e o fato de que nem todos os envolvidos lidam fácil com tecnologia. "Tem gente que não sabe sincronizar um fone bluetooth, por exemplo", cita Carlomagno.

Júlio Worcman, fundador do Canal Curta!, também já navegava bem no meio do streaming antes da chegada da pandemia – em 2002, ele esteve à frente do lançamento do Porta-Curtas, site de streaming gratuito de curta-metragem, e, pouco tempo depois, do Curta na Escola, que oferecia documentários com potencial complementar às aulas dos ensinos infantil, fundamental e médio. Só então nasceu o canal da Pay TV. Mais tarde, em março de 2018, surgiu uma nova plataforma desenvolvida por Worcman, a Tamanduá.TV, streaming de produções documentais. Com a pandemia, seus resultados dispararam: as assinaturas da plataforma cresceram 620% e, os números de acesso e usuários únicos, em mais de 500%. Entre as ações que eles adotaram especificamente para o período esteve a distribuição de cupons de uso gratuito dos documentários pra educação para professores, de modo a ajudá-los com as aulas remotas. E como além dos documentários o Curta! ainda conta com conteúdo jornalístico, o canal também precisou encarar a produção remota. Para isso, lançou mão de algumas novas práticas, como envio de equipamentos profissionais para a casa das pessoas, como microfones, e treinamento prévio com os entrevistados.

Nesse contexto em que as pessoas não podiam mais sair de casa e todo tipo de evento passou a ser realizado de maneira virtual, algumas empresas se destacaram – como a Mediastream, que já opera nesse segmento há dez anos, tendo o streaming no core do grupo. "Já vínhamos notando um crescimento do streaming na parte dos eventos, mas sempre como ferramenta de ampliar o alcance e complementar os eventos presenciais", explicou o CEO, Marco Lopes. "O que mudou com a pandemia foi a completa impossibilidade de realizar os eventos de forma presencial. Então, nossos clientes começaram a aceitar o modelo remoto. Entre abril e junho, produzimos quatro vezes mais eventos no comparativo com o mesmo período do ano passado. Vencemos uma barreira importante do mercado: convencer que o streaming é relevante e capaz de manter os negócios rodando", comemorou. Apesar de já trabalhar bem nesse meio, a Mediastream também precisou fazer algumas adaptações para atender às novas demandas, como a criação de um ambiente de "cloud protection", que garante que, se a internet de alguém que está transmitindo uma live cair, a transmissão continue. Lopes diz que a qualidade de produção sempre foi uma preocupação do grupo e que, para que ela fosse mantida, a Mediastream fez novas contratações e investiram em tecnologias que suportassem o aumento no tráfego deste tipo de conteúdo.

Outra área que precisou se reinventar diante da pandemia foi a educação – desde o ensino infantil até os cursos de MBA e pós-graduação, os estudantes pararam de frequentar aulas presenciais e seguiram apenas com a forma remota. Roberto Stecca, gerente de sistemas da Cogna Educação, pontuou que o streaming e a educação à distância não são novidade, mas que o ensino presencial ainda é muito mais presente – portanto, fazer essa migração foi um enorme desafio, tanto pela quantidade de aulas (atualmente, o grupo comanda 400 mil aulas online por mês), quanto pela qualidade das mesmas, além da velocidade – foram apenas algumas semanas até colocar tudo no ar. Entre as dificuldades enfrentadas, Stecca cita os processos de estruturar, organizar e colocar todas as aulas em uma agenda; a recepção do conteúdo, tendo em vista que alunos e professores têm dispositivos e condições de redes diferentes, além de mais ou menos facilidade de operar plataformas; e manter a interação típica de uma sala de aula presencial viva também no online.

O especialista Álvaro Pacheco, da Pipeline Capital, apontou algumas problemáticas dos novos formatos de produção que surgiram ou cresceram no contexto da pandemia – como as lives: "É uma boa ferramenta, mas tem desafios, como manter o editorial de um conteúdo gravado no ao vivo, com qualidade de produção, e manter a interação com o público que você não está vendo. Vemos artistas que simplesmente abrem a câmera e performam, sem os cuidados que o meio do streaming pede. Não é só copiar o que era presencial no virtual. Tem que respeitar as regras e entender a dinâmica desse ambiente se quiser atingir o mesmo resultado".

Novo normal ou de volta ao normal?

Como bem definiu Carlomagno, não sabemos o que, como e nem quando será o pós-pandemia. E justamente por isso é difícil fazer planos. Ainda assim, já é possível identificar quais práticas chegaram para ficar e quais questões ainda precisam ser ajustadas neste cenário em que reuniões presenciais e grandes aglomerações ainda parecem uma realidade distante. Como exemplo, o diretor da ViacomCBS cita o episódio da coletiva de imprensa virtual feita para lançar a recente temporada do "De Férias com o Ex", da MTV – se antes o canal estava habituado a realizar uma grande festa, com a presença dos participantes, jornalistas, convidados e talentos, neste ano a solução foi uma conferência online. Com o novo formato, foi possível contar com a participação de Tiago Worcman, VP sênior e executivo da MTV, Paramount Channel e Comedy Central, que fica baseado nos EUA, além de pessoas de diferentes estados do Brasil. "Podemos conectar pessoas de diferentes lugares do Brasil e até do mundo – esse é o tipo de experiência que acho que fica. Já quebramos uma barreira. Não precisamos mais trazer convidados de fora e mandar uma equipe até outras locações. São novas possibilidades que funcionam", afirma. Com a quarentena e as práticas de produção remota, os telespectadores ficaram mais acostumados a ver conteúdos tipo lives da internet na televisão. Para Worcman, do Curta!, a mudança é positiva: "O espectador vê aquilo e pensa 'eu poderia fazer isso também'. É um conteúdo mais natural, que pode gerar mais identificação".

Mas com tantas lives e shows gratuitos transmitidos via streaming ou redes sociais, será que as pessoas vão se acostumar a não pagar nada para ter acesso ao entretenimento? Para Pacheco, a resposta é não. "É uma questão de tempo até as pessoas perceberem que nada é mesmo de graça. O que não custa nada não tem valor, ou vale pouco. Existe uma diferença enorme entre aquele conteúdo que já conhecemos como premium, isto é, que envolveu uma curadoria e um trabalho editorial por trás. Está no estabelecimento natural de valor", explica. Para ele, não se trata de analisar somente os formatos, e sim os conteúdos. "Se o storytelling do produto é bom, seja ele jornalístico ou dramático, a forma não importa tanto", define.

Na educação, o processo é mais complexo – de acordo com Stecca, o segmento demora para criar novas práticas e adotar novas tecnologias na operação. "Nesse processo, aprendi que a transformação digital é muito mais uma mudança social do que tecnológica. Não é algo que se planeja, programa, define e aí põe para funcionar. É um caminho a ser percorrido de forma mais natural", analisa. O profissional ainda diz que não acredita em uma mudança radical para o meio digital em questão de dois ou três meses, mas que os investimentos feitos nesse sentido não serão jogados fora. "As demandas já existiam, mas elas não eram atendidas porque as empresas não estavam dispostas a fazer esses investimentos. Agora, estamos nos organizando para ser híbridos – nem totalmente de um jeito, nem de outro. Teremos opções para passear entre o mundo presencial e o virtual", opina. Entre as melhorias que estão feitas para tornar as aulas online ainda mais efetivas, está o desenvolvimento de uma tecnologia de reconhecimento facial dos alunos para entender se eles estão interessados, se estão de fato na frente da câmera ou se estão fazendo outra coisa enquanto assistem as aulas. Para Stecca, não se trata de uma medida apenas para compelir o estudante a prestar atenção na aula, mas também para que a qualidade daquele produto seja melhorada.

Lopes aposta em um futuro semelhante ao apresentado por Stecca: "A pandemia fez a gente dar um salto triplo em questão de transformação digital, mudando a maneira que trabalhamos, estudamos, nos comunicamos e mantemos nossos negócios. Conseguimos criar uma cultura em outro patamar digital, então acredito em um residual. O conforto e a conveniência do digital não serão perdidos". Por fim, o executivo ainda ressalta como vantagem dos conteúdos digitais a medição completa de conteúdo, que identifica exatamente os números e o perfil da audiência.

 

FONTE: TELA VIVA NEWS

NOTA DE PESAR - José Paulo de Andrade

 

A Federação Nacional das Empresas de Rádio e TV (Fenaert) manifesta seu pesar pela morte do jornalista José Paulo de Andrade. “Lamentamos profundamente a morte de um profissional que deixou sua marca na história do rádio brasileiro. Zé Paulo, como era conhecido, foi um formador de opinião”, destaca o presidente da Fenaert, Guliver Leão.

José Paulo de Andrade atuou por quase 60 anos na Rádio Bandeirantes, onde registrou sua voz no programa “O Pulo do Gato”. Iniciou a carreira em 1960 como radioescuta, mais tarde, em 1963, foi narrador esportivo. Andrade também era bacharel em Direito e participou de debates políticos e opinativos, além de ter protagonizado programas televisivos de notícias enquanto âncora na TV Bandeirantes.

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Tribunal de SC confirma proibição de patrocínio em rádios comunitárias

O Tribunal de Contas do Estado de Santa Catarina (TCE-SC) manteve, na segunda-feira (13), a vedação imposta à administração pública em contratar patrocínios em rádios comunitárias.

A consulta foi apresentada pelo presidente da Câmara Municipal de Agronômica, João Almir Alexandre, com o intuito de reverter decisão judicial anterior.

O presidente da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e TV (ACAERT), Silvano Silva, destacou que o endosso da decisão é uma das conquistas mais importantes do ano. “Com o voto pela manutenção do entendimento anterior, consideramos o assunto pacificado a partir de agora. Destacamos a coerência do TCE em manter a decisão, amparada pela legalidade da radiodifusão que encontra outras decisões semelhantes também no âmbito do poder judiciário”, comemorou.

 

Fonte: Abert

Publicado Decreto que permite prorrogar acordos (MP 936)

Decreto amplia o prazo do programa que permite a redução de jornada e de salários e a suspensão de contratos de trabalho

O Poder Executivo editou o DECRETO Nº 10.422, DE 13 DE JULHO DE 2020, que prorroga os prazos para celebrar os acordos de redução proporcional de jornada e de salário e de suspensão temporária do contrato de trabalho e para efetuar o pagamento dos benefícios emergenciais de que trata a Lei nº 14.020, de 6 de julho de 2020.

Redução proporcional da jornada de trabalho e de salário- o prazo máximo fica acrescido de trinta dias, de modo a completar o total de cento e vinte dias.

Suspensão temporária do contrato de trabalho- O prazo máximo fica acrescido de sessenta dias, de modo a completar o total de cento e vinte dias;
- Poderá ser efetuada de forma fracionada, em períodos sucessivos ou intercalados, desde que esses períodos sejam iguais ou superiores a dez dias e que não seja excedido o prazo de cento de vinte dias.

Prazo máximo de ambos- O prazo máximo para celebrar acordo de redução proporcional de jornada e de salário e de suspensão temporária do contrato de trabalho, ainda que em períodos sucessivos ou intercalados, de que trata o art. 16 da Lei nº 14.020, de 2020, fica acrescido de trinta dias, de modo a completar o total de cento e vinte dias;
- Os períodos utilizados até a data de publicação deste Decreto serão computados para fins de contagem dos limites máximos.

Benefício Contrato Intermitente- O empregado com contrato de trabalho intermitente, formalizado até 1º de abril de 2020, fará jus ao benefício emergencial mensal no valor de R$ 600,00 (seiscentos reais), pelo período adicional de um mês, contado da data de encerramento do período de três meses.

CLIQUE AQUI PARA CONFERIR O DECRETO NA ÍNTEGRA.

Fonte: CBPI Produtividade Institucional

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