2020-02-Banner-Capa

Consumo de rádio aumenta com canais diversificados

O Inside Radio 2021, da Kantar IBOPE Media, indica que a população brasileira está consumindo áudios por diversas fontes e aponta caminhos para a publicidade no meio

 

Engana-se quem, porventura, pense que o hábito de consumir conteúdos em áudio é um conceito da era pré Internet e restrito aos deslocamentos feitos de carro. O Inside Radio 2021, estudo realizado pela Kantar IBOPE Media, mostra que o meio rádio é consumido por 80% dos brasileiros – um crescimento de dois pontos percentuais em relação ao resultado obtido na última edição do levantamento, feita no ano passado. Ao todo, concluiu-se que três a cada cinco brasileiros ouvem rádio todos os dias, com uma média de tempo diári0 de 4 horas.

A amostragem escolhida pela instituição foi a população ouvinte de rádio de 13 regiões metropolitanas do País. São elas:  Belo Horizonte, Campinas, Rio de Janeiro, São Paulo, Vitória, Fortaleza, Recife, Salvador, Curitiba, Florianópolis, Porto Alegre, Goiânia e Distrito Federal. Segundo a Kantar, estas áreas são responsáveis por 75% do investimento em mídia no Brasil. A pesquisa concluiu que a região Sul é a que mais ouve rádio, com um resultado de 85% do público declarando consumir o formato, seguida do Nordeste (81%), Centro-Oeste e Sudeste (80% para ambas). Todas as regiões também registraram aumento em relação à pesquisa de 2020. Outro ponto de atenção é a credibilidade. De 2014 a 2020, a porcentagem das pessoas que confiam no rádio para se manterem informadas oscilou entre 51% e 45%. Já neste ano, esse resultado saltou para 69%.

A pesquisa identificou que o perfil dos ouvintes é equilibrado, com 52% sendo mulheres e 48% homens. A classe C é a que mais consome rádio, representando 43% de todo o público, predominando sobre as classes A e B (40%). Por conta da tradicionalidade do meio, o público com mais de 60 anos se destaca em termos de idade (21%), contra 20% de adultos entre 30 e 39 anos e 19% de 40 a 49. Entre os locais em que o áudio é consumido, o Inside Radio Kantar 2021 mostra que a própria casa é citada por 71%; o carro por 24% e outros locais por 10%. Trajeto e trabalho aparecem com menor porcentagem, com 8% e 2%, respectivamente.  

Ainda que o áudio seja um recurso antigo, hoje os canais são os mais diversos para justificar o aumento da transmissão. A Internet é citada por 10% da população como canal dos ouvintes nos últimos 30 dias. Neste ambiente digital, o celular se destaca como o device mais usado pelos consumidores (66%). O segundo lugar é ocupado pelo computador (37%), enquanto outros equipamentos são citados por apenas 8% dos entrevistados.

Em relação ao conteúdo, o consumo de músicas e outros tipos de áudio através do YouTube é feito por mais da metade dos indivíduos (59%). Em seguida, aparecem músicas em apps de streaming, como Spotify e Deezer, com 37%; podcasts com 31% – um aumento de 32 pontos percentuais quando comparado com o ano passado -; e rádio online com 18%. Nesse cenário, a faixa etária que se destaca entre os ouvintes é a de jovens entre 20 e 39 anos, das classes A e B.

De acordo com Giovana Alcantara, diretora de desenvolvimento de negócios regionais da Kantar IBOPE Media, o rádio se expande através da sua capacidade de unir o melhor de dois mundos: a credibilidade e o companheirismo do dial com o dinamismo do online. “Essa audiência conectada, que gosta de ouvir rádio pelo celular ou no computador, também precisa ser compreendida pelas emissoras e anunciantes”, afirma a executiva.

O Inside Radio 2021 ressalta a força da diversidade de canais para a ampliação de oportunidades para marcas e anunciantes. A Kantar estabeleceu um ranking dos formatos que mais captam a atenção dos ouvintes: em primeiro lugar, aparecem os comerciais, com 50%. Na sequência, o TOP 5 continua a ser formado por promoções na programação da emissora (28%); ações publicitárias feitas por locutores durante os programas de rádio (26%), anúncios inseridos na playlist do aplicativo que os consumidores estão ouvindo (21%) e, por fim, anúncios feitos durante podcasts (10%).

Entre os setores que mais investem em anúncios no meio, serviços ao consumidor, comércio e financeiro/securitário concentram, juntos, quase ⅔ de todas as verbas destinadas à publicidade (65%). As demais posições são ocupadas pelo segmento farmacêutico (5,8%) e telecomunicações (5,1%). De acordo com a Kantar, quase 5 mil anunciantes investiram em publicidade no rádio – dos quais 2.376 veicularam anúncios exclusivamente no meio. 

Por fim, o estudo relembra o boom dos aplicativos destinados exclusivamente a áudio. O Clubhouse se apresentou ao público no início deste ano e, segundo dados do SensorTower, colecionou mais de 10 milhões de downloads em fevereiro. O Twitter e o Facebook seguiram a mesma estratégia de criação de espaços dentro das plataformas destinadas a canais de conversas, com o Spaces, Soundbite e Live Audio Romes, que perpassam desde salas de discussão até ferramentas de reprodução de podcasts. 

*Credito da imagem de topo: audioundwerbung/iStock

Ataques contra jornalistas e meios de comunicação crescem 26,9% em 2022

*Foto de capa: Antonio Cruz/Agência Brasil

Como forma de acompanhar a situação da liberdade de imprensa no Brasil, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) tem monitorado os ataques sofridos por jornalistas e meios de comunicação do país. Entre jan.2022 e abr.2022, foram identificados 151 episódios de agressão física e verbal ou outras formas de cercear o trabalho jornalístico, como restrições de acesso à informação, ataques de negação de serviço na internet, doxing (exposição de dados pessoais), processos civis ou penais, assassinato, assédio sexual e uso abusivo do poder estatal. Esse cenário sofreu uma piora em relação a 2021: houve um aumento de 26,9% considerando o mesmo período do ano passado.

Em 2022, o tipo de agressão mais comum continua sendo o discurso estigmatizante – assim como foi em 2019, 2020 e 2021 –, presente em 66,9% dos alertas identificados até abril. Foi registrado um aumento de 12 casos dessa forma de violência verbal em comparação com o mesmo período do ano passado. A categoria de “agressões e ataques”, que envolve violência física, atentados e ameaças explícitas, também aumentou, apresentando um salto de 80%. 

Além disso, diferentemente de 2021, em 2022, registrou-se um assassinato e dois casos de violência sexual, classificados de acordo com o novo indicador estabelecido pela rede latino-americana Voces del Sur, que passou a incluir a perspectiva de gênero em sua metodologia, registrando situações de assédio, ameaças, atos ou comentários indesejados de natureza sexual em uma categoria própria. Esses resultados definem, até o momento, 2022 como um ano mais violento para o jornalismo brasileiro do que o anterior.

Os dados do projeto também apontam para uma participação intensa de agentes públicos nos ataques. Entre o total de casos registrados, 70,2% contaram com o envolvimento de atores relacionados ao Estado e 57,6% tiveram a participação de figuras que cumprem mandatos em cargos eletivos. Esses números revelam um contexto sombrio no qual representantes dos poderes constituídos atacam um pilar essencial para a própria democracia, que é a imprensa livre.

Dos 106 ataques perpetrados por atores estatais, 70 (66%) envolveram um ou mais membros da família Bolsonaro, que compreende o presidente da República e seus filhos com mandatos eletivos. Jair Bolsonaro (PL) foi agressor em 32 casos, seguido pelo deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP), com 23 ataques. Depois, há o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ), com 12 casos, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), com 8. Na maioria dos casos, os principais alvos foram a imprensa brasileira de modo geral (77,1%); meios de comunicação (31,4%) como O Globo, Folha de S.Paulo, Estadão, Veja, O Antagonista e Metrópoles; além de vitimarem repórteres e comunicadores (25,7%); e editores ou diretores de empresas de mídia (1,4%).

Outro destaque do monitoramento se relaciona com o papel das plataformas digitais nos ataques a jornalistas e meios de comunicação. O ambiente on-line se mostrou um terreno hostil para comunicadores brasileiros, considerando que 62,9% das agressões registradas até abril tiveram origem ou repercussão na internet. A Abraji já mostrou como o ambiente digital é usado, principalmente por atores políticos, para atacar profissionais da imprensa, em especial mulheres, pessoas LGBTQIA+ e meios de comunicação comprometidos com pautas feministas.

Violência de gênero

Paralelamente ao acompanhamento de ataques contra a imprensa brasileira, a Abraji monitora episódios de violência de gênero contra jornalistas no país. O projeto registra agressões, ofensas, ameaças, intimidações e outras formas de ataque que envolvem identidade de gênero, sexualidade, orientação sexual, aparência e estereótipos sexistas contra comunicadores como um todo, bem como casos de agressão contra mulheres jornalistas – cis ou trans – de forma geral.

De jan.2022 a abr.2022, 29 ataques atingiram jornalistas mulheres no Brasil. Foram 7 casos de violência explícita de gênero contra 8 comunicadoras e 1 comunicador, alvo de ataques homofóbicos.

Os dados de 2021 estão disponíveis em um relatório publicado em portuguêsinglês e espanhol. A plataforma on-line do projeto está em constante atualização e já oferece os resultados parciais de 2022.

Sobre o monitoramento

A Abraji monitora os ataques contra a imprensa brasileira desde 2013. Esse projeto se expandiu em 2019, quando a associação passou a integrar a rede Voces Del Sur (VDS),  que hoje reúne 14 organizações da sociedade civil em diferentes países da América Latina e Caribe, movidas por um esforço comum de monitorar a situação da liberdade de imprensa na região. Com isso, o monitoramento se tornou sistemático, e a metodologia passou a ser compartilhada. Em abr.2022, a Abraji lançou o relatório “Monitoramento de ataques à imprensa no Brasil”, com dados e análises gerais sobre os episódios registrados no último ano.

O monitoramento é um trabalho diário, com novos episódios sendo frequentemente registrados pela Abraji. Esses dados podem ser atualizados se outros casos ainda não identificados forem contabilizados no futuro.

ASSERPE debate rumos da radiodifusão em reunião setorial

Cerca de 80 radiodifusores de várias regiões pernambucanas participaram da 153ª Reunião Setorial da ASSERPE (Associação das Empresas de Rádio e TV de Pernambuco), na quinta-feira (17), em Serra Talhada (PE). 

No primeiro encontro presencial, animado pelo grupo de xaxado Gilvan Santos, gestores, diretores e profissionais da comunicação discutiram a força do rádio e os rumos da radiodifusão. 

O presidente da ASSERPE, Nill Júnior, reforçou a importância da união do setor diante dos objetivos comuns. "Temos muito mais desafios conjuntos que diferenças. A unidade da radiodifusão é um compromisso do qual não devemos abrir mão", afirmou. 

No painel sobre "O Preço do Rádio", o diretor e ex-presidente da entidade Ivan Feitosa esclareceu dúvidas sobre o custo das emissoras e a forma mais eficiente para comercialização de um produto, além de destacar pesquisas que apontam o crescimento do rádio, a presença do veículo no Nordeste e como as emissoras devem se fortalecer a partir desses dados.

A programação contou também com a participação de um palestrante especializado em Comunicação Emocional com foco no comportamento e identificação de padrões e mudanças, além da presença de representantes das TVs afiliadas, que apresentaram os avanços da TV digital no interior do estado.

 

Fonte: ABERT 

Painel destaca a tecnologia como uma força

“Nossa capacidade de impulsionar a mudança dependerá em parte de nossa habilidade de comunicar informações vitais de maneira eficaz, aproveitando o poder dos dados e da tecnologia digital”. A afirmação é do jornalista americano Jed Miller, painelista da quarta sessão de treinamento do programa Acelerando a Transformação Digital, que aconteceu na quinta-feira (17).

Com o tema “Como usar a tecnologia como uma força”, Jed Miller destacou pontos que considera importantes para uma emissora alcançar o público correto, por meio de conteúdos postados no ambiente digital, usando a tecnologia como aliada. Para o jornalista, as audiências são complementares e as emissoras devem estar no ambiente digital que seja financeira e estrategicamente importante para cada um. 

“Toda vez que algo de novo acontece, todo mundo quer. Mas é necessário inovar e planejar o seu conteúdo com antecedência para não parecer que seus posts e vídeos sejam vistos e classificados como algo bobo, sem fundamento e desnecessário. Não se trata só de transformação, mas de inovação, como estratégia de manter a audiência em suas plataformas. É muito importante conciliar o conteúdo de uma rádio com o das redes sociais”, alertou. 

Jed Miller lembrou ainda que uma informação pode levar as pessoas a mudarem seus comportamentos individuais e que, “toda atenção e cuidado devem ser voltados para a informação correta, evitando a disseminação de notícias enganosas. Tecnologia, mídia e democracia digital precisam andar sempre juntas”. 

Durante a apresentação, Jed Miller interagiu com o público, que respondeu enquetes online sobre conhecimento e interesse das emissoras em tecnologia digital.

Também participaram do encontro, representantes do ICFJ (International Center for Journalists) e da Meta, parceiros da ABERT no Acelerando a Transformação Digital, além do coordenador do projeto, Allen Chahad

 

Fonte: ABERT

Assine nossa Newsletter